Marino Sallowicz S monogramMarino Sallowicz
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Fotografar ou renderizar

A pergunta nunca foi qual é melhor. É sobre o que a imagem precisa provar.

Fotografar ou renderizar

A pergunta chega no meio da reunião com tom de pegadinha. Isso aqui é foto ou é 3D?

É a pergunta errada. Trabalho com as duas coisas há tempo suficiente para ter perdido a torcida por qualquer um dos lados. Câmera e render não são times. São dois jeitos de chegar numa imagem, e cada um resolve bem o que o outro resolve mal.

A câmera me dá o acidente. O reflexo que ninguém planejou, a poeira que caiu na hora certa, a luz fazendo algo que eu não teria pensado em construir. É por isso que uma foto boa passa por verdadeira sem precisar se explicar: ela carrega resíduo do real.

O render me dá o impossível. O ângulo onde câmera nenhuma cabe. O produto que ainda não existe porque a fábrica monta a primeira unidade semana que vem. As quarenta variações de cor que precisam sair na quinta.

O que quase ninguém fala é que os dois mentem na mesma medida. Uma foto de produto passou por lente, luz, ângulo e retoque. Ela é tão construída quanto um render. A diferença é que uma parte de algo que estava fisicamente ali e a outra parte de uma decisão.

Hoje a maior parte do que você vê é híbrida, e não anuncia isso porque não deveria. O espectador não precisa saber o caminho. Precisa acreditar no resultado.

O meu critério é mais simples do que soa. Se a imagem precisa provar que aquilo existe, que tem peso e reage à luz da sala, eu fotografo. Se precisa provar que aquilo pode existir, eu renderizo.

E quando precisa provar as duas coisas ao mesmo tempo, que é o caso mais comum, o trabalho vira fazer as duas técnicas concordarem sobre a mesma luz. É aí que eu gosto de estar.